Mostrando postagens com marcador Paulo Autran. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo Autran. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vem sentar-te comigo, Lídia - Ricardo Reis

Versos Recitados

Neste poema, Ricardo Reis - um dos heterônimos de Fernando Pessoa - nos permite sentir e refletir sobre detalhes da vida: prazeres, interações, etc.

O poema é recitado pelo inesquecível Paulo Autran.





Vem sentar-te comigo, Lídia
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.



Clique aqui e conheça os posts de Versos Recitados !


Poema apresentado, a mim, pela caríssima e querida Carmen Regina Dias: @carmenrdias (Twitter) e Divan (Blog)


Veja o que já foi publicado em Fatos e Ângulos - Blog Info sobre :

Versos Recitados

Versos Cantados

Sala de Leitura

Fragmentos Literários


Veja mais informações em :

Ricardo Reis (Wikipédia)


Vem sentar-te comigo, Lídia - Ricardo Reis (LiThis)

Leia Mais ►

domingo, 18 de julho de 2010

O medo e a deformação da alma

"A educação pelo medo deforma a alma." (atrib. a Coelho Neto)

Com palavras não conseguimos expressar tudo que é possível num tema abordado. Sempre existirão brechas que poderão ser utilizadas para construir coisas positivas e outras que não são positivas.

Atualmente, ainda é difícil, para muitos, a aceitação da relatividade de tudo na vida. O mesmo vírus pode ser a causa do agravamento de um quadro de saúde, como pode, dependendo das condições – por exemplo: vírus utilizado na produção de vacina -, ser a causa da melhoria desse quadro.

Outro exemplo é o da prudência. Pode-se dizer que ser prudente é agir com cuidado para que a ação não gere algo indesejável. Mas o que gera a prudência e os cuidados ? Não é o medo da ocorrência do indesejável ? Eu penso que é. Visto por esse ângulo, o medo influencia de forma positiva o processo. Porém, quando o medo se manifesta de forma que a pessoa seja prudente em demasia, levando-a a um estado intenso de inação, ele, o medo, passa a influenciar de forma negativa o processo. É nesse caso que o medo deforma a alma.

Não é impossível perceber que o medo – não há ser humano que não tenha medo – faz parte do processo de aprender a viver. Quanto mais intenso é o medo, mais intensa é a deformação da alma, ou seja, maiores serão os efeitos colaterais negativos.

Portanto, entendo que aqueles que são responsáveis pelo processo de desenvolvimento de outros, não precisam atuar com a imposição de medo, pois, outros relacionamentos na vida já fazem isso sem que precisem de ajuda.

A seguir é apresentado um vídeo, com a excelente interpretação de Paulo Autran, que serve para dar um pouco de luz ao que foi abordado.


Veja o que já foi publicado em Fatos e Ângulos - Blog Info sobre :

Reflexões

Leia Mais ►

sábado, 24 de abril de 2010

Meus Oito Anos - Casimiro de Abreu

Versos Recitados

O que somos e o que seremos é construído pelo que vivenciamos a cada momento de nossas vidas. O que vivenciamos em nossa infância não foi perdido. Esta vivência construiu o que somos, ela está viva em nós.

“O que foi aprendido é aquilo que fica quando se esquece o que foi ensinado”

A determinação, a persistência e a busca da sabedoria são ingredientes imprescindíveis para que não venhamos a nos distanciar tanto dos momentos felizes que vivemos outrora. Outros momentos felizes podem ser construídos !

Este belo poema - Meus Oito Anos – escrito por Casimiro de Abreu, é recitado pelo inesquecível Paulo Autran.


Meus Oito Anos
Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!


Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!


Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!


Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!


Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!


Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

................................

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!


Clique aqui e conheça os posts de Versos Recitados !


Veja mais informações em :

Casimiro de Abreu (Wikipédia)


Veja o que já foi publicado em Fatos e Ângulos - Blog Info sobre :

Versos Recitados

Versos Cantados

Sala de Leitura

Fragmentos Literários

Leia Mais ►

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quero - Carlos Drummond de Andrade

Versos Recitados

Quero é um belíssimo poema de Carlos Drummond de Andrade no qual os versos enfatizam o ato de sentir o amor e a emoção.

O poema Quero, apresentado a seguir, é recitado pelo inesquecível Paulo Autran.



Quero
Carlos Drummond de Andrade

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.


Clique aqui e conheça os posts de Versos Recitados !


Veja o que já foi publicado em Fatos e Ângulos - Blog Info sobre :

Versos Recitados

Versos Cantados

Sala de Leitura

Fragmentos Literários
Leia Mais ►

ESCREVA-NOS UMA MENSAGEM POR E-MAIL !
Mensagem para Blog Info

  ©Template Blogger Elegance by Dicas Blogger.

TOPO