As bases da obra de Nelson Rodrigues: A leitura da vida
Há um aforismo que afirma que a vida é um belo livro e que é muito útil para quem o sabe ler. E esta leitura Nelson Rodrigues soube fazer muito bem. Fez tão bem que escreveu "a vida como ela é".Nelson Rodrigues foi cronista (para alguns ele foi ensaísta), foi cronista esportivo, dramaturgo (suas peças teatrais tratam do que está nas profundezas do psiquismo humano. Aliás, toda a obra dele trata disso), escreveu contos (inquietantes e que provocadores), foi repórter (inclusive repórter policial), escreveu folhetins e novelas e teve alguns de seus textos adaptados para o cinema e para a televisão.
Cada texto de sua obra tem como base de composição o comportamento humano. Comportamento que ele observou por alguns meios. Ele que defendia um jornalismo literário – jornalismo que desse à notícia uma roupagem dramática e, consequentemente, humana e não a frieza da objetividade – levou esta característica para todos os seus textos. Essa carga dramática que quando necessária tinha como componentes doses de ironia e de humor - características marcantes do autor –, produzia os resultados de amor e ódio por sua obra. E era este efeito paradoxal que Nelson Rodrigues esperava. Entendo que dos aplausos ele precisava como combustível para continuar o trabalho e serviam também para sustentação do mesmo. As críticas negativas, os xingamentos e coisas afins demonstravam que ele conseguiu provocar algo que pudesse tirar os incomodados de uma letargia que os impedia de refletir sobre seus valores e consequentes atitudes.
Entender a importância e a necessidade de discutir a obra de Nelson Rodrigues é algo fundamental.
"O ensaio de Nelson Rodrigues representa, no conjunto, uma das melhores expressões literárias de diagnóstico de nosso tempo." (Luíz Augusto Fischer, no livro Inteligência com dor, 2009, pág. 297)
Veja o que foi publicado em Fatos e Ângulos sobre:
Nelson Rodrigues
A obra de Nelson Rodrigues aplicada às questões da vida
Sobre minhas discordâncias e concordâncias com o pensamento de Nelson Rodrigues
Educação
O que não falta são motivos para ler Nelson Rodrigues. Mesmo que sejam muitas e significativas as diferenças entre o leitor e o escritor, o Nelson, sim, o Rodrigues, ele e sua obra são fontes riquíssimas de temas e ideias importantes para reflexões que podem levar ao entendimento de alguns fatos a respeito do ser humano.
Vejo esta proposta como uma verdadeira aventura. Cada passo dado poderá enfrentar resistência em função da forma contundente da obra de Nelson Rodrigues e do incômodo causado por ela a aqueles que, mesmo inconscientemente, vestem a carapuça. Mesmo assim, ou por isto, esta proposta é uma aventura estimulante e prazerosa. A obra de Nelson Rodrigues retira os véus que cobrem o que o ser humano - por hipocrisia, por cinismo e por medo - prefere manter escondido.
Culposas ou dolosas, o que não falta são atitudes que mostram o quanto há de ignorância no meio da sociedade humana. Nós que somos seres dotados de sentimentos (alguns nobres e outros não) e de capacidade de raciocinar, ainda somos capazes de causar prejuízos irreparáveis ao indivíduo e à sociedade. A violência no esporte é um exemplo disso. Triste constatação.
O futebol tem passado por transformações cujos objetivos declarados podem, por um olhar superficial, ser considerados corretos. Porém, ele sofre pela influência de estranhas invenções humanas. Tais invenções o descaracterizam e o transformam em verdadeira ferramenta de produção de questionáveis dividendos econômicos e políticos. O futebol, como qualquer atividade humana, apenas espelha, como vetor resultante, a situação na qual se encontra a nossa sociedade. 

