sábado, 24 de abril de 2010

Meus Oito Anos - Casimiro de Abreu

Versos Recitados

O que somos e o que seremos é construído pelo que vivenciamos a cada momento de nossas vidas. O que vivenciamos em nossa infância não foi perdido. Esta vivência construiu o que somos, ela está viva em nós.

“O que foi aprendido é aquilo que fica quando se esquece o que foi ensinado”

A determinação, a persistência e a busca da sabedoria são ingredientes imprescindíveis para que não venhamos a nos distanciar tanto dos momentos felizes que vivemos outrora. Outros momentos felizes podem ser construídos !

Este belo poema - Meus Oito Anos – escrito por Casimiro de Abreu, é recitado pelo inesquecível Paulo Autran.


Meus Oito Anos
Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!


Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!


Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!


Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!


Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!


Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

................................

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!


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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Barcos de Papel - Guilherme de Almeida

Versos Recitados

Barcos de Papel é um belíssimo soneto de Guilherme de Almeida.

Ideais de infância sofrem desgastes com o passar do tempo. Porém, muitos deles podem continuar conosco, vestidos com uma roupagem mais amadurecida e mais estável, sem perda significativa do objetivo original. Essa é a grande descoberta a ser feita e somente o próprio poderá, para si, realizá-la !


Barcos de Papel
Guilherme de Almeida

Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!


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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mente Brilhante - Desenvolvendo a Genialidade

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O vídeo Mente Brilhante – Desenvolvendo a Genialidade é um documentário do programa Mente Brilhante produzido pelo National Geographic Channel e exibido pelo canal citado e pelo site MundoFox (O NatGeo e canal Fox pertencem a News Corporation de Rupert Murdoch).

Este documentário, ou seja, este episódio do programa Mente Brilhante, relata o desenvolvimento de Susan Polgar – enxadrista húngara, naturalizada estadunidense – no meio enxadrístico. Além disso, nos revela informações importantes sobre o desenvolvimento de diversas capacidades que somadas, constroem uma mente brilhante.

O vídeo tem duração de 46 minutos e 58 segundos e é muito interessante. Vale assisti-lo !




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Site Oficial de Susan Polgar

Susan Polgar (Wikipédia)

National Geographic Channel – Mente Brilhante - Episódios

MundoFox


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Mar Português - Fernando Pessoa

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Mar Português é um poema de Fernando Pessoa no qual o poeta retrata as dores do povo português causadas pelas aventuras no além-mar, durante o período que ficou conhecido como Era das Grandes Navegações.


O poema Mar Português, apresentado a seguir, é recitado por Paulo José.




Mar Português
Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram sem casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


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Quero - Carlos Drummond de Andrade

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Quero é um belíssimo poema de Carlos Drummond de Andrade no qual os versos enfatizam o ato de sentir o amor e a emoção.

O poema Quero, apresentado a seguir, é recitado pelo inesquecível Paulo Autran.



Quero
Carlos Drummond de Andrade

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.


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Versos Recitados

Foi criado em Fatos e Ângulos o bloco Versos Recitados. Neste bloco têm lugar versos recitados veiculados em vídeos e outros meios digitais disponibilizados na internet. O objetivo deste trabalho é mostrar a beleza da arte de recitar versos e a sua técnica, além de nos deixar envolver por tudo de bom que estes versos podem nos oferecer.


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