domingo, 10 de março de 2013

Nelson Rodrigues – Textos para "bater-papo"

Há quem não queira "papo", mas Nelson Rodrigues gostava de "papo".

"Ele (Nelson Rodrigues) era tão coeso na sua maneira de ver o mundo, tão coerente na sua lucidez, que falava como escrevia." (Sonia Rodrigues, filha de Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 7)

"A apresentação que o Aníbal (Damasceno Ferreira) do Nelson (Rodrigues) para mim começou como uma isca, não sei se proposital. Disse ele que nas Confissões língua portuguesa havia finalmente aprendido a falar brasileiro, isto é, que o texto do Nelson é que havia realizado o ideal modernista de, nas palavras do Aníbal, 'escrever papeando', fazer literatura com a matéria-prima da informalidade oral da língua." (Luís Augusto Fisher, no livro Inteligência com dor, 2009, pág. 14)

A linguagem dele é simples e parece que ele conversa com o leitor. É verdadeiramente uma conversa informal. Ler Nelson Rodrigues é o mesmo que "bater um papo" com ele.

"Onde é que eu estava? Agora me lembro. Depois da estreia de Vestido de Noiva, fui comer bife no restaurante Nevada, ao lado de O Globo. Depois tomei um ônibus etc. etc. Ah, passei essa noite em claro..." (Nelson Rodrigues, no texto Nascera para ser um pobre-diabo; O Reacionário)

"E lá estava anunciado o filme da semana: De amor também se morre. Os artistas eram Charles Boyer, com trinta anos menos, e Olivia de Havilland. (Ou por outra: — não era Olivia de Havilland, mas a irmã de Olivia, cujo nome não me ocorre.) [...] (Agora me lembro: — a irmã de Olivia de Havilland chamava-se Joan Fontaine.) E as pessoas que passavam na calçada..." (Nelson Rodrigues, no texto Amor para além da vida e da morte; A Cabra Vadia)

"Não sei se me entendem. Se estou sendo obscuro, paciência. Mas, como ia dizendo: — desdobro aqui a minha meditação de ontem..." (Nelson Rodrigues, no texto A feia nudez; A Cabra Vadia)

"Quando Eisenhower nos visitou, um diplomata dormiu em pleno discurso do grande homem. Dormiu e, o que é pior, babando na gravata. Nem pense que eu esteja fazendo qualquer restrição. Quando me contaram, eu sofri uma dessas crises violentas de inveja e frustração." (Nelson Rodrigues, no texto As insônias exemplares; O Reacionário)

É este "papo" informal e de fluxo fácil que faz com que os textos de Nelson Rodrigues sejam agradáveis. Ah! A generalização que fiz sobre serem agradáveis os textos de Nelson Rodrigues foi um erro imperdoável, pois só é agradável para aqueles que reconhecem em si as suas mazelas e se dispõem a agir diante disto. Para os que não têm tal disposição, imagino que os textos dele sejam altamente desagradáveis. Aliás, por que ele e seus textos foram, e são até hoje, atacados? Não é difícil de saber a resposta, ela é óbvia e ululante, como diria o escritor.

"As senhoras me diziam: 'Eu queria que seus personagens fossem como todo mundo'. E não ocorria a ninguém que justamente, meus personagens são 'como todo mundo': - e daí a repulsa que provocavam. 'Todo mundo' não gosta de ver no palco suas íntimas chagas, suas inconfessas abjeções." (Nelson Rodrigues, no texto Os que propõem um banho de sangue; O Reacionário)

"É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez." (Nelson Rodrigues, no site Nelson Rodrigues por ele mesmo)

Veja o que foi publicado em Fatos e Ângulos sobre:

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A obra de Nelson Rodrigues aplicada às questões da vida

Sobre minhas discordâncias e concordâncias com o pensamento de Nelson Rodrigues

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quinta-feira, 7 de março de 2013

Peculiaridades nos textos de Nelson Rodrigues (1)

Para compreender as ideias e as expressões usadas por Nelson Rodrigues é necessário conhecer o contexto no qual ele as empregava. As expressões mudaram – até porque a língua muda, ela é viva -, mas a essência das ideias dele continua atual. Além disso, algumas expressões que ele utilizava passaram a fazer parte do rol do politicamente incorreto; pura hipocrisia.

Pode parecer que estou a admitir que Nelson Rodrigues está ultrapassado, mas minha opinião está longe disto. Ele está mais para profeta do que para escritor ultrapassado. Afinal, o ser humano não mudou o suficiente para que as ideias dele se tornassem ultrapassadas.

Nelson Rodrigues declarou que ao desenvolver um texto, ele pensava mais do que escrevia. Ele não escrevia ao acaso, ele sabia o que e como queria expressar. É possível observar algumas peculiaridades nos textos escritos por ele. É necessário deixar claro que o texto que escrevo não tem o objetivo e não tem como esgotar este assunto. Além disso, o que escrevo são minhas impressões pessoais, apenas impressões que têm o objetivo de provocar reflexões.

Nelson Rodrigues utilizava expressões e estilos que chamavam, e que chamam até hoje, a atenção. Tais expressões eram cultivadas e cunhadas nos inúmeros textos (crônicas, contos, peças teatrais,...) escritos por ele, nas entrevistas que ele concedia e nas conversas informais.

Entendo que estas expressões tinham objetivos definidos por ele (chamar a atenção para a leitura, economizar palavras com códigos conceituais, ...). Ele as utilizava com propósitos e não de forma casual.

Em uma de suas crônicas, ele cita uma conversa com um milionário paulista. Nesta conversa, o milionário diz que para ele importa a forma, sim a forma dos textos de Nelson, o Rodrigues. É justamente a forma que desperta o interesse, de muitos até hoje, pelos textos dele.

"Impressionado quis saber: - 'O senhor acha que eu tenho sido justo com o Piauí?" Reagiu com fervor estilístico do parnasiano: 'Não me interessa a justiça. Só me interessa a forma, Dr. Nelson, a forma!' " (Nelson Rodrigues, no texto O grande homem; O Reacionário)

Vamos conhecer alguns dos artifícios:

E haja hipérbole.

O que não falta nos textos de Nelson Rodrigues são as hipérboles. E haja hipérbole. Para Nelson, o Rodrigues, uma palavra é sempre mais que uma palavra. Uma expressão é sempre mais que uma expressão. E assim, palavras e expressões são infladas de contexto e desta forma, dão características hiperbólicas aos textos dele.

"Há dias em que me sinto mais árido do que três desertos." (Nelson Rodrigues, no texto Robinson Crusoé sem radinho de pilha, O Óbvio Ululante)

"Todos nós temos histórias que encheriam uma biblioteca; qualquer um pode fazer três mil volumes sobre si mesmo." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 14-15)


E a dramaticidade?

Tem como não falar de dramaticidade nos textos de Nelson Rodrigues? Claro que não, é um dos aspectos mais evidentes.

Entendo que Nelson Rodrigues usava este artifício com o objetivo de despertar o leitor para que a essência contida no texto fosse observada e para que ela permanecesse viva. A essência não poderia estar morta, ela tinha de ter vida. Ele não era, como na expressão que ele cunhou, um idiota da objetividade.

"A nossa opção, repito, é entre a angústia e a gangrena. Ou o sujeito se angustia ou apodrece." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 69)

"...o desenvolvimento humaniza a máquina e maquiniza o homem. O escritor patrício (Otto Lara Resende) teve vontade de conversar com as máquinas e de lubrificar as pessoas. (Nelson Rodrigues, em O Reacionário, 2008, pág. 31)

"Sem alma, não se chupa um Chicabon, não se cobra nem um arremesso lateral." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 254)

"E, pelo resto da noite, sofri, sem um gemido, o sarcasmo de uns sessenta casais." (Nelson Rodrigues, no texto O pai anônimo; O Reacionário)

"Depois da revolução de 30, e até 35, eu e toda minha família conhecemos uma miséria que só tem equivalente nos retirantes (sic) de Portinari. [...] Eu e meu irmão Joffre passamos fome e foi a fome que estourou nossos pulmões." (Nelson Rodrigues, no texto O menino de Pernambuco; O Reacionário)

"O trágico na amizade é o dilacerado abismo da convivência." (Nelson Rodrigues, no livro Entrevistas, Clarice Lispector, 2007, pág. 29)


O lirismo de Nelson, o Rodrigues.

Seria um descuido imperdoável deixar de evidenciar o lirismo nos textos de Nelson Rodrigues.

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista." (Nelson Rodrigues, na primeira página do livro O Anjo Pornográfico)

"Eu sou um romântico quase caricatural. Acho que todo amor é eterno, e se acaba, não era amor." (Nelson Rodrigues, no livro Entrevistas, Clarice Lispector, 2007, pág. 30)

"Minha família morava diante do mar. Mas o mar antes de ser paisagem e som, antes de ser concha, antes de ser espuma - o mar foi cheiro." (Nelson Rodrigues, no texto O menino de Pernambuco; O Reacionário)

"Eu sinto a bondade contra-feita do médico, a sua compaixão não confessa, apenas insinuada. Minha vontade foi fazer-lhe, à queima-roupa, a pergunta: — 'O senhor acredita na ressurreição de Lázaro? '. " (Nelson Rodrigues, cap. 11; A Menina sem Estrela)

"O grande medo. Não era a primeira vez que o sentia na carne e na alma. Meses
atrás, vivera um desses momentos de pavor que ninguém esquece." (Nelson Rodrigues, cap. 28; A Menina sem Estrela)


Sem dó, nem piedade.

A contundência é uma das características que Nelson Rodrigues mostrava em seus textos.

"As senhoras me diziam: 'Eu queria que seus personagens fossem como todo mundo'. E não ocorria a ninguém que justamente, meus personagens são 'como todo mundo': - e daí a repulsa que provocavam. 'Todo mundo' não gosta de ver no palco suas íntimas chagas, suas inconfessas abjeções." (Nelson Rodrigues, no texto Os que propõem um banho de sangue; O Reacionário // Nelson Rodrigues, no livro Inteligência com dor, 2009, pág. 205)

"Se não existisse no homem o lado podre, se não existisse no fundo de cada qual a lama inconfessa e encantada, também não existiria a indústria cinematográfica." (Nelson Rodrigues, no texto Os abnegados; A Cabra Vadia)

"Napoleão, o Grande, só foi possível porque a Europa estava saturada de pequeninos napoleões." (Nelson Rodrigues, no texto O Brasil Nazi-Stalinista; A Cabra Vadia)

"O sujeito, para viver, ou sobreviver, enterra o próprio espírito, como as jóias de Raskolnikov. E, se for preciso, ele finge debilidade mental e põe-se a babar na gravata, copiosamente." (Nelson Rodrigues, no texto Os falsos cretinos; O Óbvio e Ululante)


As metáforas facilitam o fluxo.

Metáforas para as quero? Nelson Rodrigues sabia para quê as queria. Elas dão um fluxo fácil e agradável para a leitura de seus textos.

"Minhas noites são uma pesada selva de insônias. Às três da manhã estou acordado, às quatro estou acordado. Se consigo dormir às cinco, tenho vontade de abrir os braços para o alto e gemer: - 'Eu não mereço tanto!' " (Nelson Rodrigues, no texto As insônias exemplares; O Reacionário)

"O cinismo escorre por toda parte, como a água das paredes infiltradas." (Nelson Rodrigues, no texto Os cínicos; O Reacionário)

"Infelizmente, não tenho nem a saúde física, nem a saúde mental de uma vaca premiada." (Nelson Rodrigues, no texto Flor de Obsessão, A Cabra Vadia)

"Aquele que não acredita na ressurreição de Lázaro não deve tentar a medicina." (Nelson Rodrigues, em O Reacionário, 2008, pág. 85)

"A leitora de orelhas começou assim: 'O Brasil é um país de quinta ordem!' " (Nelson Rodrigues, no texto Uma bica entupida há mil anos; O Reacionário)


O impacto dos paradoxos.

A forma, sempre a forma. Pois é, algo admirável nas obras de Nelson Rodrigues é a forma como ele apresentava suas opiniões. Com isto não quero dizer que as essências delas não têm valor. Quero dizer, e repito, que é admirável a forma como expunha suas opiniões. Entendo que o choque de considerável impacto era o objetivo dele. O uso de paradoxos facilita alcançar este objetivo e, consequentemente, provocar reflexões.

"Eu sou reacionário porque sou pela liberdade." (Nelson Rodrigues, em nelsonrodrigues.com.br)

"...a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal." (Nelson Rodrigues, no livro Entrevistas, Clarice Lispector, 2007, pág. 28)

"Em nosso século, o 'grande homem' pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 265)


Sem eufemismos: canalha, ser ou não ser...

Nelson Rodrigues empregou em diversos de seus textos a palavra canalha. Ele a empregava no sentido mais estrito da torpeza que ela representa, como um ponto de exclamação, com o mesmo objetivo de um ponto de exclamação, ou seja, para dar ênfase, para dar intensidade à essência do texto. Nelson Rodrigues não era afeito a eufemismos, mas à contundência das palavras. Aliás, isto está claro nos textos dele.

"Hoje é muito difícil não ser canalha. [...] Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo." (Nelson Rodrigues, no texto O ex-covarde; A Cabra Vadia)

"Se eu apoiasse qualquer ato de violência, da direita ou da esquerda, seria um canalha." (Nelson Rodrigues, no texto O Brasil Nazi-Stalinista; A Cabra Vadia)

O texto a seguir tem o mesmo sentido que um texto atribuído a Vicenzo Globerti no qual consta a afirmativa de que os maiores inimigos da liberdade não são aqueles que a oprimem, mas sim aqueles que a sujam.

"Dirá alguém que, com o tempo e o uso, todas as palavras se degradam. Por exemplo: — liberdade. Outrora nobilíssima, passou por todas as abjeções. Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade." (Nelson Rodrigues, no texto A euforia de um anjo, O Óbvio Ululante)


Ironia e sarcasmo.

Algumas vezes ao expor suas opiniões, Nelson Rodrigues trocava as formas claramente contundentes pelo uso do sarcasmo e da ironia. Ele fazia com que estas duas últimas formas de expressão mostrassem, com não menos poder de incisão, as suas opiniões.

"Sou uma flor de obsessão." (Nelson Rodrigues, em entrevista a Otto Lara Resende)

"Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 253)

"...a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal." (Nelson Rodrigues, no livro Entrevistas, Clarice Lispector, 2007, pág. 28)

"Acabava de conversar com uma grã-fina, justamente a que lera as orelhas de Marcuse [...] A leitora de orelhas... (Nelson Rodrigues, no texto Uma bica entupida há mil anos; O Reacionário)


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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Nelson Rodrigues e a ressignificação de reacionário

Reacionário, no sentido estrito da palavra, é aquele que age em função de outra ação, ou seja, aquele que reage. Num campo mais amplo, pode ter outros significados.

Para alguns, Nelson Rodrigues era um reacionário – classificavam-no como reacionário porque o julgavam ser de direita e por ser moralista -, porém, se ele era um reacionário, também era um revolucionário, haja vista que a obra dele provocava reflexões sobre os valores da sociedade. Mas, então, como conciliar ser ele reacionário e revolucionário? Ele era reacionário por se colocar contra mudanças as quais ele julgava que fossem prejudiciais. Ao mesmo tempo, ele era revolucionário, pois se colocava contrário a tudo que estava estabelecido e que ele julgava prejudicial. Mas esta não é característica de seres humanos ativos? Esta não é uma característica tanto de esquerda, como de direita? Esta não é uma característica de todas as gerações? Então, baseado nos meios utilizados para classificar Nelson Rodrigues como reacionário, pode-se concluir que todo ser humano ativo é um reacionário. Há reacionários que reagem de forma contundente e há os que reagem com menos energia e, nem por isso, menos eficiente.

É claro que existem reacionários – aqueles que agem em função de outra ação, ou seja, aqueles que reagem – que são antidemocráticos e profanadores da liberdade alheia, porém nem todos são assim. Os primeiros são classificados como reacionários por um conceito mais estrito, bem peculiar. Ao Nelson Rodrigues não cabe este conceito.

A história mostra revolucionários que se transformaram em reacionários antidemocráticos e profanadores da liberdade alheia. Portanto, é necessário muito cuidado com as classificações. É comum um adjetivo possuir diversos sentidos.

Claro que uma ajuda eficiente é sempre bem-vinda, mas Nelson Rodrigues sabia se defender muito bem. Ele demonstrou isso quando ressignificou o conceito de reacionário, aceitando, assim, para si esta classificação.

"...eu não tenho o menor escrúpulo de passar por reacionário. Me chame de reacionário. Reacionário no meu caso é reação contra tudo que não presta." (Nelson Rodrigues, em entrevista a Otto Lara Resende, vídeo)

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"Sou um obsoleto, um carcomido, porque coloco a questão da liberdade antes do problema do pão." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 249)

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"Eu sou reacionário porque sou pela liberdade." (Nelson Rodrigues, no site nelsonrodrigues.com.br)

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"Devoto à direita o mesmo horror que tenho pela esquerda." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 159)

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"Eu me recuso absolutamente a ser de esquerda ou de direita. Eu sou um sujeito que defende ferozmente a sua solidão. [...] Eu não quero ser nem canalha de esquerda nem canalha de direita." (Nelson Rodrigues, no livro Entrevistas, Clarice Lispector, 2007, pág. 28)

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"Eu me recuso a ser um homem de esquerda, de direita ou de centro. Sou um sujeito que defende ferozmente a sua solidão." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 146)

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"Se eu apoiasse qualquer ato de violência, da direita ou da esquerda, seria um canalha." (Nelson Rodrigues, na orelha do livro A Cabra Vadia)

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Nelson Rodrigues e a ressignificação de pornográfico

Se couber como conceito de pornográfico aquele que expõe de forma franca e corajosa o que existe de pornográfico na sociedade, com o propósito de provocar reflexões, então Nelson Rodrigues poderá ser chamado de pornográfico. Caso contrário, este título, por justiça, não cabe a ele.

Nelson Rodrigues utilizava muito bem a capacidade de ressignificar. Aceitou ser chamado de reacionário após ter ressignificado o conceito do adjetivo que lhe atribuíam e ressignificou, também, o conceito de pornográfico, para então ser assim classificado.

Nos textos escritos por ele não são encontrados palavrões. A ele não pode ser atribuída culpa pelo fato de que aqueles que fizeram adaptações de seus textos para teatro, televisão e cinema, tenham incluindo tais palavras. Em verdade, encontram-se nos textos dele caricaturados alguns comportamentos, correntes no cotidiano, revelados por ele. Para saber o quanto estes comportamentos faziam parte de suas características pessoais, basta ler suas biografias e suas declarações. Ele era autocrítico demonstrado, como tal, por ele mesmo.

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico." (Nelson Rodrigues, no livro O Anjo Pornográfico)

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"Nelson Rodrigues foi o nosso grande filósofo do cotidiano. É o maior fazedor de frases que conheci. Quando releio Nelson, não me canso de admirar sua capacidade de, com um mero adjetivo ou expressão, chocar pelo paradoxo, ferir pela ironia, refutar pelo absurdo ou desnudar secretas hipocrisias." (Roberto Campos, na orelha do livro A Cabra Vadia)

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"Ele não falsificava o homem. Sua obra era feita a partir do cotidiano, por isso persiste e é atual. Meu pai tinha tal poder de comunicação, tal interação com o brasileiro, que deixou leitores e admiradores diversos." (Nelson Rodrigues Filho, em Revista Brasilis)

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"Aliás, não aceito que ele (Nelson Rodrigues) seja pornográfico em nenhum sentido." (Carlos Heitor Cony, no prefácio do livro O Reacionário)

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Não sou pornográfico. Pelo contrário, me chamo de moralista. (Nelson Rodrigues, no site nelsonrodrigues.com.br)

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"As senhoras me diziam: 'Eu queria que seus personagens fossem como todo mundo'. E não ocorria a ninguém que justamente, meus personagens são 'como todo mundo': - e daí a repulsa que provocavam. 'Todo mundo' não gosta de ver no palco suas íntimas chagas, suas inconfessas abjeções." (Nelson Rodrigues, no livro Inteligência com dor - Nelson Rodrigues ensaísta, 2009, pág. 205)

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"Eu sou um romântico quase caricatural. Acho que todo amor é eterno , e se acaba, não era amor." (Nelson Rodrigues, no livro Entrevistas, Clarice Lispector, 2007, pág. 30)

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"O sexo sem amor é uma cristalina indignidade." (Nelson Rodrigues, no livro Entrevistas, Clarice Lispector, 2007, pág. 30)

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"E acho, como já disse, que a relação sexual sem amor é uma ignonímia, e como nós a usamos sem amor normalmente, nós somos uns desgraçados." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 27)

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"O Boogie-Woogie (um cachoro da vizinhança) sim, precisava de sexo. Nós não: precisamos é de amor." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 27)

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Nelson Rodrigues, um Livre-pensador

Nelson Rodrigues era um livre-pensador. Foi influenciado por outros escritores - até porque não há leitor que não sofra essa influência - mas ousou dar seus próprios passos e, assim, desenvolveu uma obra de característica bem peculiar.

A liberdade absoluta, que muitos buscam, não existe. Aliás, para ratificar isto, costumo dizer que a responsabilidade absoluta existe somente em mundos de um só habitante. Mas voltando ao nosso mundo, um mundo de liberdade relativa, Nelson Rodrigues procurou ser o mais livre possível e não poupou esforço para isso.

"Ele (Nelson Rodrigues) parece ter, de nascença ou por aquisição pessoal, uma cabeça alforriada." (Luíz Augusto Fischer, no livro Inteligência com dor, 2009, pág. 128)

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"Nelson faz questão de individualizar-se, de ser apenas ele próprio, com todos os riscos." (Luíz Augusto Fischer, no livro Inteligência com dor, 2009, pág. 218)

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"O que confere dignidade à pessoa humana são certos bens inegociáveis." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 259)

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"Ele (Nelson Rodrigues) não era de partido, não era de igrejas, não era de esquerda ou de direita, não era da Academia (nem a de Letras, nem a universitária), não pertencia a grupos de opiniões, nem a "panelas" de nenhuma espécie." (Sonia Rodrigues, filha de Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 10)

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"Essa busca do paraíso perdido encontrou nele uma dose de provocação que o tornou odiado por moralistas e progressistas." (Carlos Heitor Cony, no prefácio do livro O Reacionário)

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"Eu me recuso a ser um homem de esquerda, de direita ou de centro. Sou um sujeito que defende ferozmente a sua solidão." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 146)

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"Sou um obsoleto, um carcomido, porque coloco a questão da liberdade antes do problema do pão." (Nelson Rodrigues, no livro Nelson Rodrigues por ele mesmo, 2012, pág. 249)

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A franqueza de Nelson Rodrigues e de sua obra

A mentira é um artifício utilizado diante de um momento de fraqueza do indivíduo, quando ele não se sente em condição de sustentar um fato. Quando esta é usada demasiadamente temos, no mínimo, a constatação de um caso grave de problemas de caráter, de personalidade.

"Dizer que não mente é uma característica do indivíduo que tem dificuldade de admitir o fato de que, por fragilidade de caráter, ele possa mentir. É claro que existem aqueles que agem para diminuir essa fragilidade e, assim, tornar menor a necessidade de mentir." (Nelson MS)

É possível identificar na obra de Nelson Rodrigues e nas suas declarações, uma franqueza aterrorizante para aqueles que não estão em condição de serem postos à frente de certos fatos. Este é um dos motivos pelos quais, Nelson e sua obra foram atacados e tiveram a sua grande importância negada por muitos e, até hoje, há quem aceite tais atitudes. Mesmo com tudo isso, Nelson Rodrigues, com admirável franqueza, expôs a verdade dele com muita coragem.

"Não trapaceio comigo, nem com os outros." (Nelson Rodrigues, na crônica O ex-covarde , A Cabra Vadia)

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"Sou um ex-covarde." (Nelson Rodrigues, na crônica O ex-covarde, A Cabra Vadia)

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"O 'velho', como eu carinhosamente o chamava, é uma dádiva cultural do País. Ele refletia a alma do brasileiro como ninguém. Um indivíduo corajoso, correto e ético, que jamais trapaceava, além de profundo conhecedor do indivíduo." (Nelson Rodrigues Filho, em Revista Brasilis)

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